Você não precisa ser
um anjo para ser uma boa pessoa. Dizer não também é necessário
Estar sempre disponível, ser muito solícito e
conhecido como bonzinho pode ser ótimo para os beneficiados de tanta
generosidade, mas e para si mesmo? Esse comportamento pode esconder o medo
intenso de desagradar o outro. “É do desejo de contentar todo mundo que nascem
as decepções com a família, com os amigos, companheiros ou colegas de trabalho.
É comum encontrar pessoas que se sintam sufocadas diante das demandas alheias. A sensação é ainda pior quando não há uma troca (que seja um elogio, um gesto de carinho ou uma retribuição, quando necessária) e percebem que a própria vida está sendo negligenciada pela preocupação excessiva com os problemas alheios.
As pessoas solícitas ao extremo talvez ajam assim
por temerem críticas e reprovações. “O papel de bonzinho é uma estratégia
inconsciente para aliviar sentimentos negativos, resultantes da crença pessoal
de que são pessoas más, indignas ou incapazes”.
Embora existam homens com tal perfil, esse tipo
de comportamento é mais comum nas mulheres, por questões culturais. “Desde a
infância, as mulheres são treinadas para serem certinhas, boazinhas,
bonitinhas. Precisam agradar todo mundo. Isso fica tão arraigado no
inconsciente feminino que, na vida adulta, cada não que as mulheres dizem vem
carregado de uma inexplicável culpa”.
De modo geral, a origem desse comportamento vem
da infância. “A criança aprende que, se não for boazinha, ninguém irá gostar
dela e não irá para o céu. Os conceitos são assimilados como verdades incontestáveis,
integrados ao medo e gravados na memória”. “Para evitar o temor de não ser
amada ou de arder no inferno, a criança se comporta de acordo com as
expectativas dos adultos, sendo, então, gratificada ou poupada de castigos”, e
isso se reflete na vida adulta.
Quem se coloca sempre disponível pode,
inconscientemente, querer fugir dos próprios problemas, ao assumir os dos outros.
São, provavelmente, pessoas carentes afetivamente, que ficam agradando os
outros numa forma inconsciente de serem agradadas. Porém, o que recebem em
troca, infelizmente, é a ingratidão, pois, geralmente, as pessoas não dão valor
a quem não se valoriza.
Equilibre-se (e diga não!)
O segredo está em encontrar o equilíbrio. “Ser
bom não é defeito. Porém, os bons também dizem não. Quem é bonzinho demais
prejudica a si mesmo, pois muitas vezes acaba ajudando pessoas que não merecem
ou que abusam”. “Ainda assim, é melhor ser bom do que se fechar para as
pessoas. Mas com equilíbrio”.
A insatisfação nos relacionamentos ocorre se há
um desnível entre um e outro; quando a pessoa dá mais do que recebe. “Sendo
assim, o vínculo não é saudável e alguém se sente usado. As pessoas precisam
ser felizes nos relacionamentos! Não há porque manter relações desniveladas”.
Vencer o medo de dizer não, de fato, é uma tarefa difícil –mas possível. Veja
alguns passos para isso:
1. Compreenda que o medo foi instalado na
infância, quando você não dispunha de condições para questionar a veracidade
das ameaças. As ameaças eram meras estratégias de controle dos pais
2. Críticas não representam perigos reais. São
apenas opiniões. Encare-as de uma maneira mais leve, sem se preocupar tanto
3. Todo mundo tem o direito de pedir o que
quiser, entendendo que o outro tem o direito de decidir se o atende ou não.
Portanto, você não tem obrigação de atender
4. Você tem o direito de dizer não sem sentir
culpa
5. Não transforme a passividade em agressividade. O
que lhe trará equilíbrio e respeito é a assertividade. Diga não, mas com
elegância
6. Compreenda que ninguém ama, respeita ou admira
pessoas boazinhas ao extremo. Ao contrário: as exploram, abusam e sentem pena.
Heloísa Noronha


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